
Sinto que não sinto mais…
Algo aconteceu dentro de mim…
Parei de precisar de você…
Já não preciso ouvir sua voz…
É como se existir já não fosse tão importante!
Os trens continuam a circular…
O clima continua a esfriar… e a falta de seu corpo quente já não dói tanto.
A corrente virou areia;
Assim que deixei você partir, também partir de mim.
Fui embora, e nem mesmo sei pra onde.
Não me deixei um recado;
Apenas fui embora.
Assim, no mesmo momento que deixo você ir…
Fujo de mim…
Já não sou mais quem eu era!
Não que eu não ame mais;
Apenas já não é importante.
Apenas já não é mais assim…
[Edson Duarte]
Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou…
Não sabem que passou, um dia, a Dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.
E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!
Sinto os passos de Dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!
E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!
[Florbela Espanca]
Publicado em 21 Maio, 2008 de 9:22 am e arquivado sobre Edson Duarte, Florbela Espanca com as tags Cartas, Duarte, Edson, Florbela Espanca, Poesia. Você pode acompanhar qualquer resposta por meio do RSS 2.0 feed.
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